No dia 16 de abril foi registrado um novo avanço no processo de beatificação e canonização do padre Monsenhor João Benvegnú. Neste dia, o Dicastério para as Causas dos Santos, órgão da Santa Sé responsável pelos processos de beatificação e canonização, concedeu oficialmente autorização para a abertura dos atos da investigação diocesana sobre a vida, as virtudes e a fama de santidade do sacerdote.
O documento, protocolado sob o número 2991-4/26, refere-se à causa de beatificação e canonização do Servo de Deus João Benvegnú, sacerdote diocesano da Arquidiocese de Passo Fundo. A solicitação foi apresentada pelo postulador da causa, o padre Paulo Vilotta, que pediu ao Dicastério autorização para que fossem abertos os atos da investigação que foram realizados na Cúria de Passo Fundo.
Essa investigação diocesana reuniu testemunhos, documentos e diversos elementos que tratam da vida do monsenhor, especialmente relacionados à prática das virtudes cristãs, à fama de santidade e aos sinais espirituais atribuídos à sua intercessão. Todo esse material foi devidamente encerrado e selado após a conclusão da fase local do processo.
No rescrito, assinado pelo prefeito do Dicastério, o cardeal Marcello Semeraro, e pelo secretário, o arcebispo Fabio Fabene, o organismo vaticano concede benignamente a autorização solicitada, determinando que sejam observadas todas as normas do direito canônico durante o prosseguimento da causa.
Com essa autorização, os documentos enviados da Arquidiocese passam a ser oficialmente examinados pelo Dicastério em Roma. Essa etapa é fundamental no caminho rumo ao reconhecimento das virtudes e, posteriormente, à possível beatificação.
A abertura dos atos marca um momento significativo para a Igreja particular de Passo Fundo, que acompanha com esperança o avanço da causa. A vida e o testemunho de Monsenhor João Benvegnú continuam sendo recordados por muitos fiéis, que reconhecem em sua trajetória sacerdotal um exemplo de dedicação pastoral, fé e serviço à comunidade.
Saiba mais
Monsenhor João Benvegnú era filho de imigrantes italianos e nasceu em 12 de agosto de 1907, no Distrito de Muçum, que na época pertencia a Guaporé. No município de Santa Tereza foi batizado, realizou a Primeira Eucaristia, a Crisma e celebrou a sua primeira missa na Igreja Matriz, em 20 de setembro de 1934.
Benvegnú passava horas no confessionário, visitava doentes, acompanhava jovens e famílias, e incentivava a educação e a formação de catequistas. Além disso, liderou obras essenciais para o desenvolvimento de comunidades, como escolas, hospitais, fábricas e sistemas de energia.
A fama de santidade do monsenhor, reconhecida em vida e após sua morte em 3 de janeiro de 1986, impulsionou a abertura da sua causa de beatificação. Após 14 anos de intenso trabalho diocesano, que incluiu a coleta de mais de 500 testemunhos, análise de cartas, livros paroquiais e publicações, a documentação completa foi entregue ao Dicastério das Causas dos Santos, no Vaticano, no dia 29 de agosto de 2025. A entrega foi conduzida pelo Padre Eberson Fontana, da Arquidiocese de Passo Fundo, e pelo Padre Elisandro Guindani, da Diocese de Vacaria.
O momento ocorreu poucos dias após a conclusão da fase diocesana, em 31 de julho, com uma cerimônia solene na Paróquia de São Domingos do Sul, local onde Monsenhor João passou mais de cinco décadas acompanhando o povo com atenção pastoral e humana. A celebração reuniu cerca de mil pessoas, mais de 20 sacerdotes e representantes da comunidade, evidenciando a presença viva e contínua de seu legado.
Conforme a Diocese de Santa Cruz do Sul, que responde pela maior parte dos municípios do Vale do Taquari, a região não tem nenhum padre que tenha sido canonizado.
Fonte: Rádio Independente


