Apesar de discreto no RS, o cultivo da cana-de-açúcar tem grande importância no Estado, segundo Alencar Rugeri, da Emater/RS-Ascar. Não chega nem perto das grandes commodities, como soja e milho, e também não alcança a expressão da noz-pecã e da azeitona, por exemplo. Porém, é explorada em praticamente todo o Rio Grande do Sul.
“É um produto que é transformado dentro da propriedade. Você não vê, aliás, vê pouco (alguém) comprando cana para fazer cachaça, melado, açúcar mascavo”, descreve como ocorre o seu aproveitamento, para a geração dos produtos.
“Tem um nicho bem consistente”, menciona. E os produtores encontram muita demanda em feiras de agricultores familiares, enquanto existem cerca de 4 mil agroindústrias em atividade.
A vantagem é que a demanda pelos subprodutos é totalmente de acordo com o volume de produção de cana. Ou seja, o que se produz, se vende. Rugeri menciona uma produtora que não consegue ampliar o tamanho do seu mercado consumidor justamente por não poder gerar produtos em volumes suficientes. “Não é dificuldade de mercado e sim quanto que eu consigo fazer”, conta.
“Digamos, 5 hectares de cana é meu limite, não de mercado, mas meu limite do serviço que eu posso gastar com a cana”, acrescenta. “Então, tem muito disso”, avalia.
Inclusive o principal problema da atividade é a falta de mão de obra para as diversas ações que o cultivo e o processamento exigem. E, assim, conta, muitos produtores simplesmente inventam máquinas para facilitar o plantio e para realizar a colheita, visto que uma colhedora de cana como as utilizadas nas lavouras do Brasil Central, têm um custo altíssimo e inviável para os pequenos agricultores.
“Os caras inventam umas maquininhas. Só que essas invenções são de um custo elevado e, muitas vezes, de baixa eficiência. Mas cada um vai resolvendo os problemas”, relata Rugeri.
Mandioca e a falta de mão de obra
A mandioca enfrenta o mesmo problema da cana: carência de mão de obra. Afinal, além do cultivo ser realizado de maneira manual, o consumidor tem exigido, no supermercado, a raiz descascada e embalada. “Hoje qualquer atividade que você for propor esbarra no quê? Mão de obra”, relata.
“As atividades que vão avançando têm essa característica de agregar valor. Um aipim descascado, embalado a vácuo, é muito diferente de uma raiz de mandioca no mercado suja”, complementa. “À mão (o descascamento) não tem mais o que fazer. Descascar aipim à mão, só se tu entrega (diretamente) nas casas, um pouquinho para ganhar um dinheiro para pagar luz, água”, observa.
Rugeri conta que existem equipamentos para preparação do produto para a comercialização, mas não são muito eficazes, pois as raízes possuem espessuras irregulares. Outro problema é a multiplicação de mudas, feitas a partir das manivas (haste, caule da planta), que são guardadas de um ano para outro, visto que, mesmo promovendo um ambiente adequado de proteção, por vezes o clima severo do Rio Grande do Sul – leia-se, as geadas – provocam perdas irrecuperáveis.
“No Estado a nossa condição climática coloca um risco maior do que em outras regiões. Por exemplo, no Paraná, tu não vai correr esse risco; vai correr a cada 50 anos. Nós aqui, é um a cada cinco (anos). Mas, em síntese, desde que embalado a vácuo, o produto encontra um “mercado bastante consistente”, define o técnico.
“São nichos de mercado bem interessantes.” Porém, acrescenta que o produtor precisa atender a exigências do mercado, senão acaba sendo repelido para fora, como já ocorreu em atividades como a do leite.
Fonte: Correio do Povo


