Área de trigo deve beirar os mil hectares em 2022, em Cruzeiro do Sul

Produtores se mostram apreensivos quanto às condições climáticas e o preço da produção
Fonte: Pixabay

Conforme publicado nesta semana pela Emater/RS-Ascar, o Rio Grande do Sul deve ter a maior produção de trigo da história na safra de inverno de 2022. Somando-se ao trigo, as demais culturas desta época devem representar a maior safra de inverno, com uma perspectiva de produção total de 5 milhões de toneladas de grãos, o que representa aumento de 11,9% em relação ao ano anterior. Apenas de trigo devem ser colhidas 3,9 milhões de toneladas.

De acordo com o levantamento compilado pela Gerência de Planejamento (GPL) e levantado pelos escritórios municipais entre os dias 11 e 23 de maio, as produtividades iniciais são baseadas na tendência apresentada pelas médias registradas ao longo dos últimos dez anos.

Ainda de acordo com os dados apresentados, apesar do trigo também ter a maior safra desde 2011, com um aumento estimado de 12,53% na produção, pela tendência, a produtividade média deve ficar 2,17% menor (2,82 toneladas/hectare) em relação ao ano anterior (2,88t/ha).

A segunda maior safra do trigo foi a anterior, em 2021, com produção de 3,5 milhões de toneladas, e a terceira maior em 2013, com 3,3 milhões de toneladas.

Em Cruzeiro do Sul, conforme dados da Secretaria Municipal da Agricultura e Meio Ambiente, atualmente são 143 produtores do cereal, com venda no Talão de Produtor, o que representa um volume de aproximadamente 4,4 mil toneladas e um valor de R$ 5,1 milhões.

Conforme o secretário municipal, José Paulo Mallmann, a expectativa para o plantio que está se aproximando, é que sejam cultivados em torno de 900 hectares. Em 2021 foram 680 e em 2020, 570 hectares preparados com trigo. A produção média deve ficar na casa dos três mil quilos por hectare.

Entre os maiores produtores do grão no município estão os agricultores Marco Antônio Kronbauer e Djoni Schmidt, ambos com suas propriedades na localidade de Linha Primavera.

Kronbauer deve iniciar o plantio na próxima semana, mas revela que ainda não é possível precisar qual a área a ser cultivada. Ele deve apostar numa planta com ciclo mais longo. Apesar disso, o agricultor está preocupado com o atraso, devido às recentes condições climáticas, que não foram nada favoráveis para culturas anteriores. O atraso no cultivo do trigo pode representar também retardar a introdução no solo das sementes de soja, o que é uma aposta maior. Outro fator pontual e que preocupa é o investimento no cultivo. Para que seja rentável será necessário que o resultado seja de pelo menos 45 sacas por hectare e que a qualidade da semente seja boa, com PH (peso hectolítrico) acima de 78. Caso contrário, o lucro ficará incerto.

Para Schmidt a realidade não é diferente. Ele revela que o custo da produção deu um salto. O produtor pontua que na última safra investiu em torno de R$ 800 por hectares e que agora o montante deve bater nos R$ 3 mil. “É uma cultura de risco. Se não alcançarmos pelo menos em torno de R$ 90 a saca, será difícil ter um lucro mínimo”.

Apesar de constatar que o clima da nossa região não é propício para o melhor cultivo do trigo, o produtor não deixa de plantar, também pelo custo benefício, pois a planta ainda serve como uma cobertura de solo para o próximo grão. “Nossa região tem muita umidade, por isso é preciso ser muito assertivo, principalmente quanto à escolha da variedade”, frisa Schmidt.

O secretário, que visitou as propriedades das duas famílias nesta semana, se mostra surpreso com a qualificação dos produtores, assim como o seu discernimento para avaliar o momento econômico e a forma de encarar o plantio.

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