A Secretaria Municipal de Saúde e Saneamento de Cruzeiro do Sul deu início, nesta semana, a uma nova estratégia para o cuidado com o bem-estar da população: o projeto Cuidar Juntos. A iniciativa, que integra o Programa de Práticas Integrativas e Complementares na Saúde (PICS), é executada em parceria com a instituição Conexão Delta e visa oferecer alternativas terapêuticas ao tratamento convencional, focando especialmente na saúde mental e emocional da comunidade.
O projeto surge em um momento crucial para o município. Após enfrentar uma série de desastres climáticos severos, uma parcela significativa dos moradores de Cruzeiro do Sul lida com sequelas emocionais, o que resultou em um aumento expressivo no uso de psicotrópicos e antidepressivos. O objetivo do “Cuidar Juntos” é justamente combater a dependência química desses medicamentos e oferecer caminhos complementares para a cura de patologias através da medicina alternativa.
Entre as atividades contempladas pelo projeto estão sessões de Reiki, meditação, Yoga, biodança, além de ações integradas voltadas às escolas, unindo saúde, educação e assistência social.
Resgate de recursos e combate à medicalização
O secretário municipal de Saúde, Celso Kaplan, o Lelo, destaca que a viabilização do projeto foi um ato de gestão e responsabilidade com o dinheiro público. Segundo ele, o município recuperou verbas específicas para estas práticas que não eram utilizadas há anos.
“A gente construiu o projeto em cima de um recurso que já estava praticamente perdido, parado em conta há mais de três anos. É uma verba destinada especificamente para as práticas integrativas e complementares. Nossa grande preocupação, compartilhada por médicos e gestores, é o alto índice de consumo de antidepressivos na cidade. Nós temos que buscar alternativas e introduzir novos conceitos de saúde que são necessários para reverter esse quadro”, afirma Lelo.
Sabedoria ancestral para curar dores atuais
A execução técnica fica a cargo do Conexão Delta, coordenado pelo psicoterapeuta Luciano Pazuch. Nesta primeira etapa, a equipe realiza um diagnóstico das demandas locais para direcionar as práticas mais adequadas. Pazuch reforça que a medicina integrativa busca na ancestralidade as respostas para doenças modernas, oferecendo um suporte essencial para uma comunidade que ainda sofre com o luto e as perdas das enchentes.
“As práticas integrativas unem conhecimentos milenares, saberes tradicionais, aos quais a ciência atual se apropriou para validar suas tecnologias. O foco inicial é a saúde emocional. Depois de tudo o que a comunidade de Cruzeiro do Sul passou com os eventos climáticos, é fundamental oferecermos esse acolhimento. Buscamos na ancestralidade curas para doenças que são comuns nos dias atuais, ajudando as pessoas a reencontrarem o equilíbrio sem depender exclusivamente de fármacos”, explica Pazuch.
Como participar
O acesso às terapias do projeto “Cuidar Juntos” seguirá o fluxo padrão do Sistema Único de Saúde (SUS). As Unidades Básicas de Saúde (UBS) funcionarão como a porta de entrada. Os profissionais da rede municipal estão sendo orientados para identificar os pacientes que podem se beneficiar das práticas integrativas e realizar o encaminhamento conforme a necessidade de cada caso.
A expectativa da administração municipal é que, ao longo dos próximos meses, o projeto se consolide como referência regional, humanizando o atendimento e promovendo qualidade de vida real para os cruzeirenses.


