Estudo propõe estratégias para garantir água potável durante enchentes

Foto: Marcio Steiner

Uma pesquisa desenvolvida no curso de Engenharia Civil da Universidade do Vale do Taquari – Univates apresenta estratégias técnicas para garantir o abastecimento de água potável em cenários de emergência causados por eventos hidrológicos extremos, como as enchentes que atingiram o Vale do Taquari em 2023 e 2024.

O estudo, conduzido pela estudante Ariane Kwiatkowski Scheffer, sob orientação da professora Sofia Royer Moraes, analisou o impacto do desabastecimento em Cruzeiro do Sul, um dos municípios mais afetados. Durante as enchentes de maio de 2024, cerca de 70% da população local ficou sem água por vários dias, em razão da dependência da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Lajeado, que também foi atingida.

Diagnóstico aponta vulnerabilidades no sistema

A pesquisa identificou fragilidades estruturais no abastecimento, como a dependência de uma única ETA, adutoras em áreas sujeitas a inundações, perdas na rede de distribuição e ausência de reservação emergencial.

Com base nesse diagnóstico, o estudo propõe um plano escalonado de ações. No curto prazo (6 a 12 meses), recomenda o uso estratégico de 90 poços artesianos já cadastrados e localizados fora de áreas de risco, além da instalação de reservatórios emergenciais em pontos elevados.

No médio prazo (1 a 3 anos), sugere a ampliação do uso de cisternas para captação de água da chuva — medida que pode reduzir em até 46,3% o consumo de água potável em residências —, além da expansão da reservação e setorização da rede para diminuir perdas.

Já no longo prazo (3 a 5 anos), o estudo defende a construção de uma ETA própria em Cruzeiro do Sul, garantindo autonomia ao município, além da implantação de wetlands construídos para tratamento e reuso de efluentes, integrados a programas de Pagamento por Serviços Ambientais.

Planejamento hídrico e políticas públicas

A análise técnico-econômica aponta que os poços artesianos têm melhor custo-benefício no curto prazo, enquanto as cisternas ajudam a reduzir a demanda. A ETA própria, apesar do maior investimento inicial, é considerada fundamental para segurança hídrica duradoura.

A pesquisa reforça a necessidade de planejamento municipal e criação de um Plano de Contingência Hídrica, com protocolos para situações de desastre. “A segurança hídrica em cenários de emergência exige ações integradas que envolvam aspectos técnicos, ambientais, legais, sociais e financeiros”, afirma Ariane Scheffer.

O estudo destaca que a adoção gradual das medidas pode aumentar a resiliência do sistema e garantir o acesso à água como direito fundamental, especialmente diante da recorrência de eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul.

Fonte: Rádio Independente

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