27 julho , às 18h20 | Esportes

“Sempre preferi a bola do que uma boneca”, diz cruzeirense campeã da Libertadores

Foto: (Arquivo Pessoal) - Alessandra com a taça da Libertadores

Antes da pandemia no novo coronavírus (covid-19) a cruzeirense Alessandra Helena Petry, de 16 anos de idade, foi campeã da Copa Libertadores da América Feminina pelo Sport Club Internacional de Porto Alegre, na categoria sub-16. A grande final foi realizada no dia 2 de fevereiro deste ano. Na ocasião o Inter derrotou o Liverpool, do Uruguai, pelo placar de 3 a 0 e o terceiro gol foi marcado por Alessandra. Os outros dois foram de Maki e Bia.

Filha de Valdemar e Traudi Petry, a adolescente reside com os pais na localidade de Picada Maehler. Estudando no turno inverso dos treinos, a jovem está cursando o 2º ano do Ensino Médio. Ela acredita que a vontade de jogar futebol já lhe acompanha desde quando nasceu. “Meu pai sempre me levou nos jogos dele e com isso descobri o meu interesse pelo futebol. Sempre preferi uma bola do que uma boneca”, diz.

Tendo como ídolos Messi e Marta, Alessandra começou a praticar efetivamente o esporte em uma escolinha – Juventus – masculina aos 6 anos de idade em Jaraguá do Sul-SC, sua cidade natal. Nesta escolinha a meia-atacante treinou por um ano. “Depois encontrei uma escolinha de futsal perto de casa, que se chama Arsepum Futsal, onde permaneci por 5 anos até encontrar uma equipe feminina em Guaramirim-SC. Lá joguei por 7 meses até nos mudarmos para o Rio Grande do Sul. A mudança se deu em função do trabalho de meus pais. Aqui encontrei uma escolinha de futsal feminina, a do 25 de Julho, da localidade de Picada Aurora. Joguei mais 1 ano e fui fazer um teste na Chapecoense, novamente em Santa Catarina. Passei, mas fiquei só uma semana, pois não consegui ficar longe da minha família. Quando retornei, meu professor da escolinha do 25 de Julho, Ângelo Lord, me indicou para o treinador da Associação Estrela de Futebol (AEF), de Estrela, onde participei de uma ‘peneira’ e passei. Fiquei lá até final do ano de 2018 e por fim cheguei ao Internacional”, relata. Ela complementa dizendo que o seu treinador da AEF, David Junior da Silva, que atualmente é treinador do Internacional, a indicou para fazer uma “peneira” no Centro de Treinamentos Alvorada, onde passou. Posteriormente ela fez mais uma prova no campo de treinos do Inter. “Como passei nas duas fui aceita no Sport Club Internacional”, comemora.

Alessandra conta que o seu maior incentivo vem da família. “Eles me apoiam muito. Sempre fizeram de tudo para que eu conseguisse jogar. Devo muito a eles.

O esforço para chegar nos seus objetivos também é uma marca registrada, pois devido á distancia a jovem teve que morar em um alojamento em Porto Alegre, voltando para casa em alguns finais de semana. O treinamento, antes da pandemia também era intenso. “Até duas semanas antes da Liga de Desenvolvimento os treinos eram três a quatro vezes por semana, mas com o aproximar da competição começamos a treinar todos os dias, em algumas vezes até aos domingos, pois queríamos chegar com força máxima. O resultado veio, fomos campeãs”, salienta.

A Libertadores sub-16

A jovem atleta conta que a Libertadores, em sua categoria, ocorreu no Paraguai, “e posso dizer que foram os jogos mais emocionantes da minha vida até agora”. Foram três jogos na fase de grupos: o primeiro um empate em 1 a 1 contra o Liverpool do Uruguai; vitória de 2 a 0 contra a Antióquia da Colômbia; e no terceiro mais uma vitória, de 4 a 0 contra o Colo Colo, do Chile. Na semifinal veio mais uma vitória, de 2 a 1 contra o Guarani do Paraguai. “Com certeza foi o jogo mais emocionante e marcante para mim, pois estávamos perdendo de 1 a 0, entrei no segundo tempo, marquei o gol de empate e no último segundo viramos o placar e nos classificamos para a final”, lembra. Já na final o confronto foi novamente contra o Liverpool do Uruguai, mas desta vez com vitória pelo placar de 3 a 0, com direito a mais um gol de Alessandra. A cruzeirense frisa que o mundial estava previsto para este mês – julho, na Disney, mas devido a pandemia foi transferido para fevereiro de 2021.

Em busca do sonho

Atualmente Alessandra Petry também está temporariamente afastada do Centro de Treinamento, em Porto Alegre, devido ao coronavírus. A adolescente está mantendo o preparo fazendo treinos em casa. Ela garante que a luta pelo sonho continua. “Desde os meus seis anos de idade sonho em me tornar jogadora de futebol, então vou fazer de tudo para que isso aconteça. Espero que futuramente o futebol feminino seja mais valorizado e não sofra tanto preconceito. Para as demais meninas que têm esse sonho, apesar de todas as dificuldades, levantem a cabeça e não desistam. Se você quer realmente alguma coisa, corra atrás, pois ninguém vai fazer isso por ti. Basta confiar na sua capacidade e focar nos seus objetivos”, conclui.

Fonte: cruzeirodosul.net

 


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